O número de casos de dengue confirmados no ABC e ocorridos nas primeiras 14 semanas do ano passado chegou a sublimes 19.924, neste ano, até o dia 4/04 pode se ver uma drástica queda com um total de 3.679 casos, segundo o painel de monitoramento do Ministério da Saúde, número que representa somente 18,4% do momento anterior. Os óbitos também diminuíram de 18 para 2. No entanto o patamar fica longe do ideal e os casos tendem a ficar mais graves, segundo a médica Alaide Mader Braga Vidal, parasitologista e presidente do Comitê de Contingenciamento, Prevenção, Diagnóstico e Tratamento da Dengue na FMABC (Faculdade de Medicina do ABC). Os motivos de preocupação são vários e ainda combinados, como a reinfecção por variante diferente do vírus e também porque as mudanças climáticas podem fazer com que o mosquito que antes se multiplicava mais no verão, se reproduza com intensidade em outras épocas do ano.
Para a médica o aparente conforto dos números da dengue hoje no ABC não significam que a batalha contra o mosquito vetor da doença esteja vencida. “As mudanças climáticas têm um impacto significativo no número de casos de dengue. O aumento das temperaturas, as chuvas intensas e maior umidade criam condições ideais para a proliferação do mosquito Aedes Aegypti. Essas mudanças climáticas têm favorecido a reprodução do mosquito, especialmente em áreas urbanas”, diz Alaide.
A especialista aponta algumas vitórias do poder público que podem explicar os números melhores que os do ano passado, no entanto ainda extremamente preocupantes. “Acredito que isso é ação do poder público e também o aumento da conscientização da população em relação á gravidade da dengue, mas ainda estamos longe da situação ideal, a minha preocupação, é que pensem que está tudo bem, quando não está. O alerta ainda continua, bastam 10 minutos, uma vez por semana, para a eliminação dos criadouros, portanto a população tem que se conscientizar e fazer disso uma rotina na vida”, orienta a médica da FMABC.
Gravidade
Segundo Alaide Mader Braga Vidal, em algumas regiões os casos estão ficando mais graves e o ABC ainda não experimentou isso, mas não fica livre. “Concordo que estão ficando mais graves em algumas regiões, isso pode ser atribuído a vários fatores, como a circulação de novos sorotipos do vírus, que encontram populações menos imunizadas. O sorotipo do tipo 3, por exemplo, que não circulava no Brasil há mais de 15 anos, voltou a ser diagnosticado e está associado a um aumento da gravidade dos casos no Estado. Outra coisa a gravidade pode ser influenciada por fatores como acesso limitado a cuidados médicos e condições climáticas que favorecem a proliferação do mosquito”, diz.
A circulação dos diferentes sorotipos do vírus da dengue tem se tornado mais frequente em várias regiões. São quatro sorotipos, nominados de um a quatro. “A introdução de novos sorotipos numa área em que eles não eram comuns pode levar a surtos e epidemias, isso já aconteceu em algumas partes do país. Além disso a reinfecção por um sorotipo diferente aumenta o risco de formas graves como a dengue hemorrágica. O vírus pode sofrer mutação como todo vírus pode, isso ocorre naturalmente no processo de replicação viral”, explica Alaide sobre causas que podem agravar os casos.
A parasitologista diz que a vacinação é promessa de um grande salto na redução dos números de casos, no entanto ainda é cedo para celebrar. A vacina foi introduzida no ano passado e é aplicada no público de 10 a 14 anos de idade. “A vacinação mostra resultados muito bons e promissores, mas ainda é cedo para afirmar seu impacto definitivo. Embora se tenha dados encorajadores é preciso monitorar os resultados a longo prazo”, completa a médica.
Vacina
A vacinação fica avançando, no entanto as prefeituras relatam baixo retorno para a aplicação da segunda dose, aplicada três meses depois de a primeira. A prefeitura de Ribeirão Pires, não informou quantas pessoas, do público alvo para a vacina foram imunizadas, mas relatou que somente 5% dos que tomaram a primeira dose voltaram para tomar a segunda. A vacinação é feita de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h nas unidades de atenção básica. No município foram 60 casos confirmados este ano, com um óbito em investigação. No ano passado foram 191 casos, conforme com a prefeitura. Já o Ministério da Saúde informa que no ano passado foram 294 casos em 14 semanas e 62 neste ano.
Rio Grande da Serra teve cinco casos este ano, sendo que os números da prefeitura e do Ministério se confirmam. No ano passado a prefeitura diz que teve 215 casos confirmados e o governo federal diz que foram 128. Quanto à vacinação a prefeitura informa que aplicou por volta de 500 doses iniciais e 100 doses de reforço.
Divergência também nos números de São Caetano e os informados através da pasta federal da Saúde. O município teve 344 casos este ano, segundo as contas da prefeitura e 302 segundo o ministério, sem óbitos. No ano passado nas 14 primeiras semanas foram 2.907 casos e uma morte segundo o painel de monitoramento das arboviroses do Ministério da Saúde, mas a prefeitura confirma 2.338 e nenhum óbito. A vacinação no município cinco pessoas estão internadas atualmente com dengue, todas em hospitais particulares da cidade. A estimativa é que 9.026 pessoas estejam dentro do público-alvo para a vacinação, mas até o momento 3.997, tomaram a primeira dose e 1.657 compareceram aos postos para o reforço.
As outras cidades da área não responderam. As informações do Ministério da Saúde apontam que Diadema teve 1.052 casos este ano, com uma morte e 3.563 ano mesmo momento do ano passado que teve quatro óbitos; Mauá teve 665 casos este ano até o momento, sem mortes, e 4.619 casos no mesmo momento de 2024, que teve duas mortes; Santo André teve 963 confirmações de dengue este ano e um morto, sendo que no ano passado a esta época já eram 5.033 casos com seis mortes; São Bernardo soma este ano 630 casos confirmados, sem fatalidades, e nas primeiras 14 semanas de 2024 eram 3.180 casos e cinco mortes.
Fonte: Repórter Diário .com. br



