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Feminicídio aumenta e uma mulher é agredida ou morta a cada 10 dias no ABC

2 de Agosto, 2025
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Feminicídio aumenta e uma mulher é agredida ou morta a cada 10 dias no ABC
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Delegacia de Defesa da Mulher de São Caetano. (Foto: Propaganda)

Em pleno começo do Agosto Lilás, mês que tem como foco a conscientização e o enfrentamento à violência contra a mulher a área do ABC vê um aumento dos casos deste tipo. Nos primeiros seis meses deste ano foram registrados 17 casos e em sete deles os agressores foram capazes de o seu intento. O resultado é que a cada 10 dias uma mulher é violentamente agredida ou morta na área. No ano passado, no mesmo momento, a área teve um caso fatal e 13 tentativas de assassinato através do fato da vítima ser mulher.

De acordo com os dados da Secretaria de Segurança Pública, foram quatro mulheres assassinadas em Santo André, uma em Diadema, uma em Mauá e outra em São Bernardo no primeiro semestre de 2025. Quanto às tentativas de homicídio foram 10 registros, sendo quatro em Mauá, duas em São Bernardo, duas em Diadema, uma em Santo André e uma em Rio Grande da Serra.

No ano passado um caso de feminicídio foi registrado em Diadema entre janeiro a junho. Quanto às tentativas de matar através da condição da vítima ser mulher foram 13 registros, sendo que Diadema e Santo André tiveram quatro casos cada, em Mauá registrou três tentativas e São Bernardo, duas.

Gabriela Mariel foi assassinada através do ex-companheiro que foi apreendido em flagrante em Mauá, no mês de junho deste ano. (Foto: Reprodução)

Um dos casos que mais chamou a atenção neste ano foi o da morte da chefia feminista de Mauá, Gabriela Mariel, de 33 anos, que foi assassinada através do ex-marido, de 31 anos, em casa, no dia 3 de junho. O homem foi apreendido em flagrante e indiciado por feminicídio. Integrante do Movimento de Mulheres Olga Benário, Gabriela lutava por moradia e contra a violência contra a mulher.

Apesar da alta dos números de feminicídio, a infraestrutura montada para o atendimento à mulher vítima de violência vem se aperfeiçoando com o amparo da tecnologia, que vai desde aplicativos que podem auxiliar a mulher a pedir socorro caso o agressor se aproxime, ou ainda por um aparato melhor preparado nas delegacias para o atendimento de casos de violência. O ABC tem cinco DDMs (Delegacias de Defesa da Mulher) em Diadema, Mauá, Santo André e São Bernardo e São Caetano, apesar disso essas delegacias não funcionam 24 horas diariamente, nem abrem aos finais de semana.

A estatística aponta que a grande maioria dos casos de violência com resultado morte ou registradas como tentativa de feminicídio ocorrem nas casas das vítimas, à noite e também não são raros casos em fins de semana, por isso o ABC tenta existe anos ter uma DDM que funcione 24 horas diariamente. Enquanto isso não realiza-se salas foram montadas em delegacias que estão abertas nestes horários para que a mulher seja recebida e pode narrar os fatos a uma delegada por videoconferência. Mesmo assim não é toda a mulher que se sente confortável em entrar em uma delegacia de polícia e relatar as agressões, tendo que passar por um grande número de empregados homens. A área tem nove salas DDM 24 horas instaladas no 1º DP de Diadema, nos plantões do 1º, 2º e 6º DP de Santo André, 1º DP de Mauá, Delegacia Sede de Ribeirão Pires, 2º e 3º DP de São Bernardo e Delegacia Sede de São Caetano.

Nas Salas DDM instaladas os distritos policiais comuns é um jeito de assegurar o atendimento 24 horas para a mulher vítima de violência. (Foto: Propaganda)

O ABC tem se preparado, com os municípios amparando a custear delegacias cada vez melhor equipadas e localizadas, em cooperação com o Estado. Santo André mudou, em 2019 a sua DDM, que funcionava longe do Centro e em uma casa adaptada, para um edifício de dois andares perto do Centro, já com uma boa estrutura física na expectativa de ser a primeira do ABC a ter uma DDM 24 horas, o que ainda não ocorreu. A mais nova Delegacia da Mulher do ABC é a de São Caetano, também em área mais centralizada, mas que só funciona de segunda à sexta até as 19 horas.

Diadema fica também entrou no páreo para ser a primeira a ter o funcionamento ininterrupto em um delegacia que tem especialização. A prefeitura alugou um edifício de três andares no Centro da cidade que fica sendo ideal para receber a DDM local. Hoje a delegacia que tem especialização fica abrigada em uma casa com instalações acanhadas. O que se espera é de inaugurar o novo espaço até o final do ano, já com tudo pronto para, quando o Estado definir, instalar plantões para que funcione 24 horas diariamente.
Novidade
A novidade é que Ribeirão Pires também vai aparelhar melhor o atendimento aos casos de violência doméstica. O anúncio foi feito, na próxima sexta (01/08), através do prefeito Guto Volpi (PL), ao lado do deputado estadual Thiago Auricchio, do mesmo partido, que destinou emenda parlamentar no valor de R$ 600 mil para tornar viável a construção da unidade que tem especialização no atendimento a vítimas de violência. O novo espaço será instalado ao lado do Fórum Municipal, na Avenida Prefeito Valdírio Prisco.

“A infraestrutura tem melhorado; o aparato que usamos a cada ano tem aumentado. Também temos cada vez mais pessoas falando sobre violência contra a mulher e equipamentos públicos para apoio. Além disso temos aplicativos com botão de pânico, mas mesmo que se fale muito em como denunciar os crimes contra a mulher, ainda há aquelas que têm medo de denunciar o agressor, por isso a gente tem que enfrentar esse tema e o que é mais importante, mostrar onde está e como acessar a rede de apoio”, explica a delegada Renata Cruppi, titular da DDM de Diadema e palestrante sobre situações de violência doméstica.

“Eu sempre digo para que as pessoas prestem atenção àquela amiga, vizinha ou familiar que começa a se afastar dos compromissos sociais, que evita falar. Não que isso seja sintoma de que ali está uma violência, pode ser outras coisas também, mas o importante é não se afastar dela e tentar ver o motivo da atitude. Nas minhas palestras eu também falo sobre a necessidade de uma mudança na sociedade e a desconstrução da violência masculina”, continua a delegada.

Ódio

Os crimes parecem ficar cada dia mais violentos conforme a sociedade é bombardeada com imagens de crimes, propaganda de casos fatais em notícias ou redes sociais, a delegada de Diadema avalia que não é que os crimes ficaram mais violentos, o acesso a informações ficou mais fácil e isso também é algo que pode desenvolver debates importantes sobre o assunto. “O crime contra a mulher é sempre recheado de muita violência, porque o feminicídio é um crime de ódio e sempre praticado com requintes de crueldade. Esse requinte é sempre presente pois essa vítima em geral já vem sendo agredida, mas é revoltante mesmo. O que a gente pode tirar de proveito dessa violência que passa na tevê e na mídia em geral é o debate para uma necessária mudança cultural”, diz Renata.

“No ABC temos uma boa estrutura com as DDMs e as salas DDM, mas o principal não é só ter delegacias, mas saber quais são os serviços da rede de apoio. Temos casos de mulheres que militam em movimentos contra a violência, mas, quando acontece com elas, ficam perdidas, não sabem a quem recorrer, pois não acreditam que aquilo esteja acontecendo com elas, por isso o importante é a conscientização, pois o problema não está só em ter delegacias, mas saber como acessar a rede de apoio”, completa a delegada.

Fonte: Repórter Diário .com. br

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