No cenário do trânsito de São Bernardo do Campo, a credibilidade da fiscalização repousa sobre um princípio básico: o exemplo. Afinal, como exigir do cidadão um comportamento que não é observado naqueles que deveriam orientar e fazer cumprir a lei?
Uma cena recente, registrada por um leitor do nosso site – que preferiu não se reconhecer –, joga luz sobre essa contradição. Na movimentada Avenida Prestes Maia, área central, um veículo oficial de agentes de trânsito foi identificado cometendo várias infrações em um curto espaço de tempo.
Conforme o relato, o condutor realizou uma manobra irregular, parou sobre a faixa de pedestres e, em seguida, seguiu de frente com o semáforo claramente fechado para o seu sentido. O leitor que registrou a situação foi enfático ao descrever a intenção aparente do motorista: “Ele ultrapassou o sinal vermelho mostrando que o objetivo era pegar o outro lado da avenida, sem se importar com as regras”.
A imagem é particularmente simbólica. Enquanto outros motoristas aguardavam pacientemente a vez de prosseguir, respeitando a sinalização, o condutor do carro de serviço – aquele que, em tese, personifica a norma – simplesmente ignorou as regras que seu próprio ofício se destina a proteger.
É importante destacar que veículos oficiais, de fato, têm prerrogativas em situações de emergência devidamente caracterizadas, sempre com o uso de luzes e sirenes para alertar a todos. No entanto, na situação registrada, não havia indícios de que se tratava de uma ocorrência urgente.
O prejuízo vai além do risco momentâneo de um acidente. Ações como essa corroem a confiança dos cidadãos nas instituições e passam a mensagem perigosa de que existem dois pesos e duas medidas no espaço público.



