Ocorreu na próxima sexta (24/10) mais uma eleição para a diretoria do Sintracon (Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil e do Mobiliário de São Bernardo e Diadema) e o pleito reconduz Claudio Bernardes, o Claudinho, e sua diretoria para mais um mandato à frente da entidade sindical de trabalhadores mais antiga do ABC, com 92 anos. Com 1.027 votos computados para a Chapa 1, 22 em branco e nenhum voto nulo, a eleição ocorreu sem nenhum incidente e, segundo o cabeça da chapa, o pleito demonstra a união da categoria e a aprovação do trabalho da diretoria reeleita.
Como metas, o sindicalista reeleito diz que pretende continuar fazendo o sindicato representativo e ampliar as conquistas para o trabalhador. O desafio maior é despertar mais o interesse do jovem para atuar na construção civil e o estímulo à formação de mão de obra, que anda escassa nesta área.
“Ficamos impressionados pelo apoio e por não termos nenhum voto nulo. A responsabilidade é grande ser eleito e reeleito para o sindicato mais antigo do ABC e com tanta história”, diz Claudinho. A entidade foi fundada em 17 de janeiro de 1933, menos de 50 anos depois do final da escravidão. São Bernardo tinha fazendeiros e tinha também um grande contingente de imigrantes, muitos italianos que trouxeram o ofício da marcenaria. Seis meses depois da criação da entidade, os sindicalistas já empunhavam bandeira por reajuste salarial dos diaristas e por uma tabela unificada por profissões. Aconteciam as primeiras luta e vitória, pois as reivindicações foram atendidas e um acordo foi firmado entre patrões e trabalhadores, 18 fábricas foram paralisadas na época. Em 1941, a entidade foi denominada Sindicato dos Oficiais Marceneiros e Trabalhadores nas Indústrias de Móveis de Madeira, Junco e de Vassouras de São Bernardo e em 1950 alterou de novo para Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de São Bernardo. Com a emancipação de Diadema em 1961, incorporou o nome do novo município.
“Eu vou assumir o próximo mandato com o compromisso de fazer um trabalho ainda melhor; buscar o aumento real para os trabalhadores e novos benefícios, como o que conquistamos este ano, que foi a cesta natalina. Nunca os trabalhadores tiveram a cesta de natal assegurada”, diz Claudinho que iniciou aos 20 anos no Sintracon e hoje fica com 46. “São 26 anos de bagagem, já posso até dar aula de sindicalismo”, brinca o presidente que de fato palestrou para estudantes este mês, sobre a necessidade da legislação trabalhista e da planejamento sindical para preservar os direitos dos trabalhadores”.
Desafios
Para Claudinho, na área do mobiliário, o setor enfraqueceu, as poucas empresas que ainda resistem, unicamente vendem os móveis, que chegam de outras partes do país, o que fez esse ramo encolher muito nas últimas décadas. “Continuam vindo móveis de fora e são vendidos na rua Jurubatuba como fabricação própria. Fora da nossa região os salários são menores, e também os benefícios, com isso o móvel lá tem um custo menor de produção, e as empresas que visam lucro preferem trazer de fora do que fabricar aqui”.
Já na área da construção civil, que é o setor que hoje mais emprega, na base do Sintracon, o desafio é a formação de mão de obra e fazer com que o jovem se interesse através da área, que pode, conforme a especialização do trabalhador, pagar salários melhores. “Eu tenho seis tios pedreiros e nenhum dos filhos deles seguiu a profissão”, relata o chefe sindical. Segundo Claudinho existe uma visão desta profissão que hoje não é mais realidade. “Há muita tecnologia nas obras de hoje, o trabalhador não sofre tanto como era antes, apesar de ainda ser a profissão que mais mata pelos acidentes de trabalho”, aponta. A preocupação com a escassez de mão de obra nos canteiros já vem sendo abordada também por empresários e representantes do setor patronal da construção civil.
Colocados esses desafios, Claudinho estima que o trabalho do sindicato será primordial para mudar essas realidades. “Eu reassumo o compromisso de lutar na linha de frente e defender de forma incansável o trabalhador e buscar a melhoria das condições de trabalho e de qualidade de vida para ele e sua família”, completa Claudio Bernardes.
Fonte: Repórter Diário .com. br



