O começo de 2026 coloca a saúde pública de São Bernardo diante de um cenário que reúne desafios históricos e várias ações estruturais voltadas à ampliação do atendimento à população. Com rede complicada, alto custo mensal e forte demanda regional, o município aposta em investimentos em infraestrutura, capacitação profissional, ampliação de serviços especializados e estratégias de prevenção para manter e fortificar o atendimento no espaço do ano.
Em entrevista ao RDtv, o secretário municipal de Saúde, Jean Gorinchteyn, detalhou as prioridades da pasta e ressaltou que a gestão trabalha na reorganização do sistema sem abrir mão da ampliação do acesso aos serviços. “São Bernardo tem uma saúde muito robusta, mas também muito cara. O desafio está em garantir qualidade e acolhimento mesmo diante das limitações orçamentárias”, afirma.
Formação profissional em busca de especialidades médicas
Entre as principais iniciativas previstas para 2026 fica o Programa Educa Mais Saúde, que promove bolsas de estudo para formação e capacitação de profissionais da rede municipal. O programa, concebido ainda durante a campanha do prefeito Marcelo Lima, contempla desde cursos de graduação e tecnólogo até pós-graduação, com foco nos mais de 12 mil trabalhadores da saúde da cidade.
Atualmente, a iniciativa disponibiliza 54 vagas para graduação e tecnólogo e 51 vagas para pós-graduação, o que permite a progressão na carreira de técnicos, a formação de enfermeiros interessados em medicina e a especialização de profissionais já graduados. “Trata-se de uma política que amplia oportunidades e fortalece o sistema público”, diz o secretário. O programa inclui ainda a oferta inédita de três bolsas integrais de medicina, com duração de seis anos.
A escassez de especialistas se mantém como um dos principais gargalos da saúde pública, realidade que ultrapassa os limites de São Bernardo. Para confrontar esse cenário, o município investiu na criação de programas de casa médica e na contratação direta de especialistas em regiões estratégicas, como psiquiatria, neurocirurgia e neuropediatria.
Ao assumir a pasta, a atual gestão reconheceu uma fila inicialmente estimada em 94 mil procedimentos, número que, depois de revisão detalhada, revelou uma demanda real de aproximadamente 260 mil exames, consultas e cirurgias represadas. “Havia exames de ressonância com espera de até três anos. Essa situação não pode se repetir”, afirma Gorinchteyn.
Com mutirões, ampliação da oferta e integração entre os hospitais da rede, foi capaz diminuir filas históricas. Um dos exemplos citados foi a neuropediatria, que chegou a registrar espera próxima de cinco anos. O secretário reforça, no entanto, que a fila na saúde nunca desaparece por completo. “O problema não está na existência da fila, mas no tempo excessivo de espera”, explica.
Infraestrutura robusta e custos elevados
Segundo Gorinchteyn, São Bernardo preserva um dos maiores sistemas municipais de saúde do estado, com cinco hospitais, dezenas de UBSs, centros de especialidades e por volta de 15 mil profissionais. O custo mensal ultrapassa R$ 130 milhões, com aproximadamente metade desse valor destinada a recursos humanos. Outro fator que pressiona o orçamento é o atendimento regional. Entre 30% e 40% dos pacientes atendidos na rede municipal são moradores de outras cidades. “O município atende de forma regional, mas recebe recursos de forma municipal. Esse desequilíbrio impacta diretamente as contas”, afirma o secretário.
Para confrontar a demanda, a prefeitura promoveu caravanas da saúde, com carretas de exames de imagem e mutirões de consultas e cirurgias, além da reestruturação de unidades que haviam sido inauguradas sem condições adequadas de funcionamento em gestões anteriores.
Outro avanço citado foi a reestruturação do Hospital de Olhos, que iniciou suas atividades como uma clínica, sem centro cirúrgico. Atualmente, a unidade faz por volta de 30 cirurgias diariamente, com planejamento para ampliar esse número para 50 procedimentos diários, sobretudo cirurgias de catarata. “O hospital passou por uma transformação importante. Hoje há centros cirúrgicos em funcionamento e um planejamento de expansão responsável, de modo que investimentos ocorrem de forma progressiva, dentro das possibilidades financeiras do município”.
Vacinação e dengue
A queda nos índices de vacinação também integra a lista de preocupações da secretaria. Para confrontar o problema, o município ampliou a vacinação nas escolas, o que facilita o acesso de famílias que não conseguem trazer crianças às unidades de saúde. A estratégia foi integrada a programas como o Ouvir, Ler e Aprender, que já beneficiou milhares de estudantes.
No enfrentamento à dengue, São Bernardo adota medidas como o Vacimóvel, ações itinerantes de vacinação e o uso de drones para reconhecer focos do mosquito em regiões de difícil acesso. Com esse conjunto de estratégias, o município registrou uma redução de 80% nos casos da doença em 45 dias, no ano anterior. Sobre a nova vacina contra a dengue desenvolvida através do Butantan, o secretário informou que o município aguarda definição do governo estadual quanto à distribuição das doses e aos grupos prioritários. “É uma vacina de dose única, segura e com alta eficácia, o que facilita a proteção da população”, conclui.
Fonte: Repórter Diário .com. br



