O Governo do Estado informou terça-feira agora (17/02), a começar da Agência SP (agência de notícias sobre o governo paulista), um texto para falar sobre o projeto de transposição das águas do Rio Pequeno, braço da Represa Billings, para o Rio Taiaçupeba. O Estado defende a intervenção ao falar sobre uma escassez se água “histórica” na área metropolitana. A matéria foi publicada três dias depois de um novo protesto de ambientalistas e moradores em Rio Grande da Serra que são contrários à proposta.
A média menor de chuvas neste momento inicia uma das justificativas usadas para defender o projeto. “Esse é outro ponto que torna estratégica a captação de água na Billings. Por estar próxima à Serra do Mar, ela recebe mais chuvas do que as represas do Cantareira, que estão no Alto Tietê, em locais diversos e conectadas por túneis subterrâneos. Outro ponto importante é que a Billings está em um só plano e tem mais de 100 km de extensão, aumentando a probabilidade de captação de águas pluviais.”, diz o texto.
“A ampliação da captação da represa Billings vai fortalecer o Sistema Integrado Metropolitano e garantir segurança de abastecimento para todas as famílias que vivem na Grande São Paulo. A interligação com o Alto Tietê é mais um passo nesse projeto de segurança hídrica formulado pelo Governo de SP, em parceria com a Sabesp”, falou a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de SP, Natália Resende.
A ideia do Estado é que sejam captados até 4 mil litros de água bruta por segundo. O investimento previsto é de R$ 1,4 bilhão e a expectativa é que a obra seja finalizada em 2027. Em nenhum momento do texto houve resposta direta às preocupações dos cidadãos do entorno em relação a existência do Rio Pequeno depois de a transposição e mesmo sobre os documentos exigidos para uma obra deste porte.
Tais fatos foram reforçados no protesto do sábado anterior (14/02), na entrada de Rio Grande da Serra. Outro temor é sobre o isolamento de bairros por vários meses, o que poderia prejudicar moradores e comerciantes do entorno.
“Fizemos uma boa panfletagem, conversamos com os comerciantes e também com o pessoal do Parque América que é um bairro importante da cidade. As pessoas estão entendendo que essa obra vai destruir a cidade além de acabar com a água que é produzida aqui. Estão entendendo que essa obra vai afetar todos nós em Rio Grande da Serra e também o abastecimento de toda a região”, destaca Amaury Monteiro Júnior, ex-presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente em Rio Grande da Serra, ao RD depois de o protesto.
Lembrando
Logo depois de as primeiras reclamações, a Sabesp foi perguntada sobre o projeto e negou qualquer falta de documentos ou ações para fazer tal intervenção.
“A Sabesp esclarece que a obra de interligação entre as represas Billings e Taiaçupeba é um empreendimento estruturante e estratégico para a segurança hídrica da Região Metropolitana de São Paulo, beneficiando os 39 municípios atendidos pelo Sistema Integrado Metropolitano. O projeto foi concebido para aumentar a resiliência do sistema frente a eventos climáticos extremos, como estiagens prolongadas e maior variabilidade hidrológica.
Por se tratar de um sistema integrado de abastecimento, a interligação amplia a flexibilidade operacional do conjunto de reservatórios da RMSP. Embora a concepção principal do empreendimento seja o reforço do Sistema Produtor Alto Tietê, a infraestrutura permite, do ponto de vista técnico, a reversão do fluxo em situações excepcionais, com a instalação de estações elevatórias que possibilitem o bombeamento no sentido Taiaçupeba–Billings. A probabilidade dessa operação é considerada baixa, em razão das diferenças de regime pluviométrico entre as regiões, mas a possibilidade reforça o caráter estratégico e adaptativo do sistema.
A implantação do empreendimento está submetida ao processo regular de licenciamento ambiental, conduzido junto à Cetesb, com a apresentação de todos os estudos técnicos exigidos pela legislação. As compensações ambientais e as ações de mitigação dos impactos identificados, inclusive aquelas incidentes sobre os municípios de Rio Grande da Serra, São Bernardo, Ribeirão Pires e Santo André, serão integralmente implementadas pela Sabesp, conforme os estudos apresentados e as diretrizes estabelecidas pelos órgãos reguladores. Essas ações incluem medidas ambientais e sociais voltadas à proteção dos mananciais, à recuperação de áreas afetadas e ao fortalecimento da relação com as comunidades locais”.
(Informações: Agência SP e George Garcia)
Fonte: Repórter Diário .com. br



