Com dois vereadores e o prefeito afastados depois de a deflagração da operação Estafeta, da Polícia Federal, a política de São Bernardo tenta se equilibrar para continuar com os serviços enquanto aguarda novos resultados da investigação. Ao RDtv, o vereador e chefe de governo, Julinho Fuzari (Cidadania), avalia que o principal ponto para manter este equilíbrio seja impedir que o caso se transforme em uma disputa eleitoral antecipada no município.
“A gente precisa separar a política e os políticos de uma questão muito séria, que é um caso que ocorreu em São Bernardo. Nós não podemos transformar o que ocorreu aqui em uma disputa eleitoral antecipada. Nós precisamos ter responsabilidade necessária com a cidade, com os munícipes, com a nossa população.”, inicia.
“Porque, se não fizermos, quem vai sentir é quem está lá na ponta. É aquela criança que precisa da merenda, é aquela pessoa que precisa da saúde e que não pode ter esse serviço interrompido. Então, nós precisamos ter a maturidade de poder deixar dentro do campo político aquilo que é da política, sem interferir na continuidade dos serviços”, continua o parlamentar.
Os 26 vereadores restantes em São Bernardo assinaram requerimento para a instauração de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para investigar os contratos suspeitos que foram revelados na operação da Polícia Federal. Mas existem outras duas CPIs que estão na frente para começar os trabalhos, o que impede a abertura de uma terceira, conforme consta no Regimento Interno.
Fuzari fundamentou que continua com interesse na abertura desta CPI, mas tal fato depende de um acordo entre a maioria dos vereadores. Para que essa comissão seja iniciada é preciso que uma das duas que estão na fila seja aberta e concluída ou que ocorra alguma desistência.
Comunidade atípica
Em relação ao seu mandato, Julinho Fuzari enfatizou seus projetos para tratar de temas ligados a comunidade atípica. Com um filho diagnosticado com TEA (Transtorno do Espectro Autista), o vereador notou as dificuldades que muitas famílias ainda têm para conseguir diagnóstico e, principalmente, tratamento.
“Nós conseguimos, no primeiro momento, chamar a atenção da sociedade, nós conseguimos criar políticas públicas para a inclusão dessas pessoas. Agora existe todo um movimento para que elas possam ter acesso a tratamento e medicação. E a medicação também não é barata. E nem todos têm acesso à medicação. E aí a gente pode falar do neurodivergente no todo. Uma medicação para quem tem o TDAH é uma medicação cara”, iniciou.
“E nem todos têm acesso a essa medicação. Nós temos o autista que ele tem outras comorbidades também. Alguns têm epilepsia, precisam do canabidiol, se faz necessário o canabidiol. É caro e a gente tem enfrentado os planos de saúde. Você imagina que os planos de saúde estão descredenciando. É uma briga constante”, diz o vereador.
Fonte: Repórter Diário .com. br



