A Área Metropolitana de São Paulo enfrenta um dos cenários climáticos mais severos da última década. A combinação de uma estiagem prolongada, ondas de calor que quebraram recordes históricos e um aumento repentino de até 60% no consumo de água em regiões específicas levou o Sistema Integrado Metropolitano (SIM) a operar com unicamente 26,42% de sua capacidade total.
Diante da gravidade do diagnóstico apresentado através da SP Águas, o Governo de São Paulo, por intermédio da Arsesp e da Sabesp, elevou o nível de monitoramento para a chamada Faixa 3. Esta etapa do plano de contingência autoriza a gestão da demanda no momento noturno, com a redução da pressão na rede por um intervalo de 10 horas diárias, acontecendo habitualmente entre as 19h e as 5h.
O impacto nos principais mananciais
A atenção é permanente sobre os sistemas Cantareira e Alto Tietê, que hoje operam com volumes preocupantes, próximos a 20%. Como o abastecimento da Grande São Paulo é integrado, a pressão sobre esses reservatórios afeta todo o conjunto de adutoras e estações de tratamento.
Para tentar equilibrar o sistema, a produção de água foi ampliada de 66 para 72 metros cúbicos por segundo, um esforço operacional para compensar a demanda anormal gerada pelas altas temperaturas, mesmo em um momento onde parte do povo viaja devido às festividades de final de ano.
Por que ainda não existe rodízio?
A atual resiliência do sistema é fruto de obras estruturantes realizadas depois de a crise de 2014. Projetos como a Transposição Jaguari-Atibainha e o Sistema São Lourenço permitem que o governo transfira água entre bacias, assegurando maior segurança hídrica. Recentemente, a entrega antecipada do bombeamento da bacia do Rio Itapanhaú reforçou o Sistema Alto Tietê, beneficiando 22 milhões de pessoas.
Além disto, em São Bernardo do Campo, Diadema e Santo André, a ampliação da Estação de Tratamento de Água (ETA) Rio Grande injetou 500 litros por segundo a mais na rede, solidificando o abastecimento no Grande ABC.
Metodologia de Prevenção: As 7 Faixas de Atuação
O governo paulista adota agora um modelo moderno de gestão dividido em sete estágios. São Paulo encontra-se na terceira faixa, caracterizada através do alerta e através da gestão de demanda de 10 horas. Caso os níveis continuem caindo, o estado pode entrar em regimes de contingência controlada (faixas 4 a 6), onde a redução de pressão pode chegar a 16 horas, ou no estágio de emergência (faixa 7), que estima o rodízio de abastecimento entre regiões.
Como o povo pode colaborar
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, ressalta que o uso consciente deve ser imediato. Medidas simples podem impedir o agravamento da crise:
- No banho: Diminuir o tempo de 15 para 5 minutos economiza até 162 litros.
- Na limpeza: Varrer a calçada ao invés de utilizar mangueira poupa em torno de 279 litros a cada 15 minutos.
- No carro: Usar balde ao invés de mangueira impede o desperdício de 176 litros.
Os modelos meteorológicos indicam que as chuvas no mês de janeiro precisam ficar abaixo da média, o que preserva o Gabinete de Crise e a Defesa Civil em vigilância ininterrupta para assegurar a estabilidade do abastecimento em todo o estado.
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*Com informações: Agência SP
Fonte: ABCAgora .com .br


