Na próxima quinta (06/02) marcou um momento especial no Teatro Municipal de Mauá, com a abertura de duas exposições na Pinacoteca. “Temos uma Pinacoteca potente, e este encontro duplo é bastante simbólico, pois amplia os olhares sobre a cidade”, afirmou o secretário de Cultura, Deivid Couto.
Até o dia 1º de março, o público pode visitar a exibição “A Mesma Pede Passagem”, uma grande declaração de amor das integrantes da União das Escolas de Samba de Mauá através da cidade. A visitação ocorre de segunda a sexta-feira, das 9h às 19h, e aos sábados e domingos, das 9h às 13h. A mostra reúne 60 fotos, fantasias, pavilhões e outros elementos que celebram o Carnaval e sua força cultural.
Na abertura, o público acompanhou a apresentação da bateria da Imperatriz Mauaense e contou com a presença de representantes das escolas Tradição Unidos Imperial, Acadêmicos do São João e Camisa Azul e Branco. Para a presidente da Uesma, Meire Terezinha, “as escolas da cidade representam resistência, e o objetivo é ocupar a rua”. Segundo ela, o Carnaval mostra histórias que o município não contou e expressa a força da economia criativa, com destaque para bordadeiras e costureiras que hoje atuam em grandes escolas de São Paulo.
Artes Plásticas: Entre Cidades e Olhares
Continua até o dia 5 de abril a exibição “Entre Cidades e Olhares”, do Coletivo de Artistas de Ribeirão Pires (CARP), que também reúne profissionais de Mauá, São Bernardo do Campo e Santo André. A mostra apresenta pinturas e esculturas desenvolvidas com diferentes técnicas e valoriza a diversidade da produção artística contemporânea regional, além do intercâmbio cultural entre municípios.
A curadora da exibição e uma das fundadoras do CARP, Josy Barbosa, explica que o coletivo surgiu durante a pandemia, momento que exigiu criatividade para confrontar o isolamento. “Cada artista tem sua singularidade. Para mim, foi uma grande mudança de vida”, afirma.
“A arte é o ar que eu respiro, eu vivo por meio dos meus quadros”, resume Reinaldo Santi, de 80 anos. Autodidata, o artista naïf desenvolveu uma técnica própria no decorrer de mais de 50 anos de carreira. Ele relembra que, em uma época em que ser artista era visto como sinônimo de improdutividade, deixou de utilizar o sobrenome, retomado mais tarde a pedido do pai.
O metalúrgico aposentado Temístocles Rosa, conhecido como Tuta, dedica-se à escultura existe 20 anos. “Eu não me considerava artista, hoje só faço arte”, conta. Ele descobriu o talento ainda quando trabalhava em uma petroquímica e já vendeu uma obra para um cônsul da Ucrânia.
Para Débora Dutra, a arte tem o poder de transformar o mundo. “Todo mundo veio colorir um pouco o mundo”, afirma. Ela iniciou a pintar óleo sobre tela aos 10 anos, como forma de comunicação, e define os artistas como pura emoção.
Já o pintor Gil Silva apresenta uma obra conceitual que utiliza fungos como matéria-prima. Segundo ele, o trabalho é vivo, pois reage a interferências externas. “A gente não quer só comida. O fungo é um elemento poético”, explica. “Até onde a sociedade pode deteriorar o mundo?”, questiona.
A veterinária Thayna Lins é aquarelista e retratou sua buldogue inglesa, Catarina. Durante a pandemia, enquanto cuidava da mãe, detectou na pintura um caminho de autoconhecimento. “Foi por meio da arte que consegui lidar melhor com a ansiedade e com a necessidade de controle”, relata.
Com 50 anos de trajetória na pintura a óleo sobre tela, o artista Mathias Abreu Lima apresenta a obra “Armaduras”. Apaixonado por História, ele destaca a simbologia do guerrear e a beleza plástica das armaduras. “A arte abre horizontes pessoais, sociais e históricos”, afirma.
Fonte: Repórter Diário .com. br



